Tudo começou quando o meu tio Hermengardo Lucas (sócio incondicional do Leixões Sport Clube) tinha o remoto sonho de colocar alguém da família neste clube da sua eleição.  Tinha uma filha, mas esta não ligava grande coisa ao desporto. No entanto, tinha sobrinhos que adorava. Como os nossos interesses desportivos não passavam pelo futebol, um dia, o meu tio pediu a um amigo embarcadiço que trouxesse uma bola de basquetebol, do estrangeiro. Lembro-me que era amarela e da marca "Pensilvânia". Logo que a teve, ofereceu-ma e levou-me a um carpinteiro, perto do Café Girassol, para mandar fazer uma tabela do dito desporto.
O aro foi aproveitado dum ferro velho. Um amigo da família, que tinha uma oficina de reparação de equipamentos de barcos de pesca, soldou as anteparas do aro e montamos tudo no quintal relativamente avantajado da casa dos meus pais.
A partir daí foi um reboliço. Ainda hoje fico surpreendido pela paciência dos meus pais em permitirem toda aquela invasão. Os vizinhos entravam e formávamos equipas. Inevitavelmente a técnica de jogo melhorou de tal maneira que o quintal já não era suficiente. De qualquer maneira continuamos, eu e o meu irmão, a treinar no nosso campo privado.

















Outra situação curiosa foi a reunião de pelo menos seis campeões nacionais de juvenis do Leixões para "marcar uns cestos" no meu quintal. (Tinham vindo a uma festa de aniversário de um deles que era meu vizinho, e uma coisa levou à outra).
Entretanto, nesse ano, inscrevi-me no Leixões Sport Clube e comecei a treinar com outros atletas, num ringue em cimento, nas traseiras da sede do LSC. Chamavam-lhe o campo Siza Vieira, mas nunca confirmei se ele tinha algo a ver com isso. Foi enorme a alegria de pertencer a uma equipa cheia de amigos e ao mesmo tempo deixar o meu tio orgulhoso por finalmente haver um Lucas neste clube que ele tanto adorava.
Comecei na equipa de juvenis e tive logo a sorte de ter o melhor número da camisola: o 15! (os americanos da NBA só usavam números grandes e aquele era o maior possível dentro das regras portuguesas.)


























O nosso treinador (Mesquita) era já um "crack" que pertencia à selecção nacional e não só nos ensinou o melhor das técnicas desta modalidade como ainda nos preparou, ao nível físico duma selecção de alta competição.
       






























Os sucessos foram bastantes e tivemos de defender o título de campeões nacionais da época anterior. A imprensa também reconheceu os feitos e ia dando notícias todas as semanas.

A minha carreira desportiva não ficou por aqui. No ano seguinte mudei para um clube que estava a dar os primeiros paços e que ficava mais perto de casa: O Grupo Desportivo de Basquete de Leça. Na realidade os seus atletas eram, em geral, elementos que tinham muito pouca prática de desporto e reconheço que, no início, fiquei um pouco esmorecido, mas, paralelamente, havia um ambiente de muita amizade e alegria. Ganhar não era tudo. O importante era divertirmo-nos, fazendo desporto. De qualquer maneira o treinador Claudio, achou que sería mais bem aproveitado numa equipa de mais idade e sugeriu-me entrar  na equipa de seniores, para dar "uma ajudinha aos velhotes", brincou e aí sim,  desenvolver as minhas capacidades atléticas e técnicas. A ajuda deste  treinador foi fundamental. Até cheguei a fazer alguma preparação física usada na Selecção Russa, na altura uma das melhores do mundo.




























Anos depois, já em 1976/1977, voltei a esta modalidade e desta vez, para representar a fábrica onde trabalhava (TEXAS INSTRUMENTS). Toda a equipa era formada exclusivamente por funcionários da empresa.



























Alguns já tinham jogado, tal como eu, nos campeonatos da Federação de Basquetebol, por isso não foi de estranhar o grande sucesso que obtivemos ao longo de toda a temporada, como aliás se pode comprovar pelas notícias publicadas pela imprensa.





































Ainda nesse ano, mudaria de equipa, mas dessa vez ao serviço das Forças Armadas Portuguesas (ver artigo mais à frente, sobre o Serviço Militar).
Enquanto o curso decorria, um capitão, ao ser informado que eu tinha jogado basquetebol no Leixões, veio convidar-me para entrar para a equipa EPT.

É evidente que, perante a oportunidade de fazer algo que me iria proporcionar saídas daquela "prisão" e ainda divertir-me, nem sequer hesitei, aceitando de imediato.
Na equipa tínhamos alguns "cromos", mas estavam presentes três "antigos colegas" de outras equipas que eu defrontara anos antes e que tinham bastante qualidade. Não foi com grande surpresa que vencemos o Campeonato Nacional Militar.

Surpreendentemente, recebi a minha medalha, mais tarde, em Lisboa, no meio da parada e com "honras ao som do hino nacional". (E eu já nem me lembrava).



Quanto a esta modalidade, foi o que se viu. Não foi uma coisa grandiosa, mas serviu para fazer amigos e ser respeitado pela lealdade e aplicação a um desporto maravilhoso.